segunda-feira, 14 de setembro de 2009

XI Conferência Internacional de Educação em Engenharia e Tecnologia

Nova data para Submissão do Resumo: 20 de setembro de 2009

INTERTECH'2010
XI Conferência Internacional de Educação em Engenharia e Tecnologia
07 a 10 de Março de 2010, Ilhéus, Bahia - BRASIL
Educação em Engenharia e Tecnologia Inovando para o Crescimento
http://www.copec.org.br/intertech2010/

Organizado pelo: Conselho de Pesquisas em Educação e Ciências (COPEC)
Realização: Conselho Internacional para Educação em Engenharia e Tecnologia (INTERTECH)
Anfitrião: Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico em Informática e Eletro-eletrônica de Ilhéus (CEPEDI)

Programa Científico: A duração do congresso será de quatro dias. O programa científico incluirá:
. Workshops
. Sessões Plenárias
. Apresentações Orais
. Painéis e Mesas-Redondas

Submissão de Trabalhos: Possíveis participantes estão convidados a submeter eletronicamente um resumo em formato .DOC via e-mail para intertech2010@copec.org.br. Após a notificação de aceite os autores deverão enviar seu trabalho como trabalho completo ou como WIP (trabalho em desenvolvimento). Os detalhes para a submissão de resumos e trabalhos completos, incluindo os modelos, estão disponíveis na homepage do congresso: http://www.copec.org.br/intertech2010/

Anais e Livro de Resumos: Os Anais e o Livro de Resumos do Congresso serão publicados e estarão disponíveis na época do mesmo. Tanto o livro de resumos quanto os Anais estarão registrados na Biblioteca do Congresso Norte Americano e possuirão ISBN tendo validade internacional.

Idioma do congresso: Inglês, Espanhol e Português são os idiomas oficiais do congresso.

Programa Social: Coquetel de Boas Vindas, Banquete e visitas técnicas em Ilhéus estão sendo planejados.

Pré e Pós-Congresso: O Pré e Pós-Congresso estão sendo organizados e os detalhes estão disponíveis na homepage do congresso: http://www.copec.org.br/intertech2010/

Workshops: No dia 07 de Março serão oferecidos alguns Workshops. Os Workshops serão ministrados nos horários: 08:30 às 12:00 e 13:30 às 17:00 (3 horas de duração para cada). Os Títulos e Programas completos serão disponibilizados brevemente na homepage http://www.copec.org.br/intertech2010/

Objetivos: Este Congresso irá promover um fórum internacional para o intercâmbio de informações sobre as pesquisas e os mais recentes desenvolvimentos na melhoria do ensino, em todos os campos da Engenharia e da Tecnologia. Durante o congresso as diretrizes curriculares serão discutidas tão bem como a integração entre o mercado global e a Educação em Engenharia e Tecnologia.

Tópicos: Os autores estão convidados para submeterem trabalhos originais nos seguintes tópicos abaixo sugeridos (mas não limitados a eles):

  • Acreditação e Controle de Qualidade 
  • Educação Continuada em Engenharia e Tecnologia 
  • Desenvolvimento de Currículos 
  • Diversidade em Educação em Engenharia e Tecnologia 
  • Pesquisa em Educação em Engenharia e Tecnologia 
  • Aspectos Internacionais em Educação em Engenharia e Tecnologia 
  • Linguagem e Humanidades em Educação em Engenharia e Tecnologia 
  • Matemática e Ciências Naturais em Educação em Engenharia e Tecnologia 
  • Responsabilidade Social, Ética e Profissional 
  • Qualificação Pedagógica em Educação em Engenharia e Tecnologia 
  • Outros (Você pode submeter resumos e propostas em outros tópicos.) 

Presidente do Comitê Organizador: Claudio da Rocha Brito
Presidente do Comitê de Programa Técnico: Melany M. Ciampi
Presidente do Comitê Local: Jauberth Weyll Abijude
Presidente do Conselho INTERTERTECH: Muthar Al-Ubaidi

Favor enviarem todas as submissões e dúvidas para:
Prof. Dr. Claudio da Rocha Brito
Presidente do INTETECH'2010
Rua Dom Pedro II, 54, 3º andar, sala 312.
11.010-080. Santos - SP, Brasil
Fone: +55-13-3227.1898
Fax: +55-13-3227.1998
Email: intertech2010@copec.org.br
Homepage: http://www.copec.org.br/intertech2010/

Datas Importantes:

Submissão de Resumos:  20 de Setembro de 2009
Notificação de Aceite:     30 de Setembro de 2009
Data limite para envio do artigo no formato exigido e para pagamento da taxa de publicação:  30 de Outubro de 2009
Pre-Congresso:  6 de Março de 2010
Congresso:  7-10 de Março de 2010
Pos-Congresso:  11-12 de Março de 2010

sábado, 12 de setembro de 2009

ABEA - Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo

O que é

A Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo é uma entidade sem fins lucrativos reconhecida por sua intensa e responsável atuação na busca de melhoria na qualidade de ensino de arquitetura e urbanismo no Brasil.

Fundação

Foi fundada inicialmente em novembro de 1973 como associação de escolas de arquitetura e totalmente reformulada em 1985 transformando-se em uma entidade de ensino, com novas características, muito mais democráticas permitindo a ampla participação de todos os envolvidos no processo de ensino e aprendizagem da área de arquitetura e urbanismo e não somente seus dirigentes.

Atuação

A ABEA vem trabalhando desde 1989 na implantação de uma política nacional para o estabelecimento de perfis e padrões que assegurem a qualificação do profissional arquiteto e urbanista a altura dos desafios sociais do país e das demandas internacionais, presentes no processo atual de globalização.

A entidade tem participado ativamente, junto ao Ministério de Educação - MEC, no processo de avaliação da qualidade do ensino superior do país contribuindo, de forma eficaz, na elaboração das Diretrizes Curriculares para os Cursos de Arquitetura e Urbanismo exigidas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB e em conjunto com a Comissão de Especialistas de Ensino de Arquitetura e Urbanismo - CEAU/SESu/MEC. Atualmente a ABEA vem acompanhando a Comissão de Avaliação do Curso de Arquitetura e Urbanismo, do INEP, nas formulações das diretrizes para o Exame Nacional de Cursos (Provão), onde a área da arquitetura e urbanismo estreou em 2002, e nas formulações das diretrizes para a avaliação in loco dos cursos.

A partir de 2003 a ABEA começou a participar do processo de organização das Conferências das Cidades e na Conferência Nacional realizada em outubro em Brasília foi indicada a compor o Conselho Nacional das Cidades.

A educação em arquitetura e urbanismo

Refletindo a demanda crescente da sociedade por arquitetos e urbanistas e a política atual do Ministério da Educação - MEC de ampliar o número de matrículas do ensino superior, a área de arquitetura e urbanismo vem crescendo significativamente, contando hoje com aproximadamente 40.000 alunos e cerca de 5.000 docentes. Do total de cursos em funcionamento, 85 deles já estão devidamente reconhecidos pelo MEC e são responsáveis pela educação de cerca de 4.000 profissionais arquitetos e urbanistas que ingressam, por ano, no diversificado mercado de trabalho brasileiro.

A ABEA vem atuando junto ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas - INEP, organismo gerenciador do Exame Nacional de Cursos - Provão no Ministério da Educação. Visando ampliar os instrumentos usuais de avaliação, a ABEA propôs a incorporação do Trabalho Final de Graduação - TFG como mais um instrumento de medição da qualidade dos cursos. O TFG permite conhecer critérios internos de avaliação em cada curso, temas mais freqüentes, nível de abrangência de cada trabalho, metodologias desenvolvidas, práticas pedagógicas adotadas, capacidade de resolução de problemas em arquitetura e urbanismo, dentre outros critérios. A proposta da ABEA quanto ao TFG ainda considera como fator de avaliação os "Trabalhos Finais de Graduação" cujo resultado permite medir qualitativamente o desempenho, confrontando-o com o universo de cursos no país. Tendo em vista a impossibilidade de no momento o TFG integrar a avaliação do Provão, a ABEA vem desenvolvendo proposta de um instrumento complementar de avaliação baseado no TFG. Imediatamente após a aplicação do primeiro Provão da área (jun. de 2002)a ABEA iniciou um amplo e democrático debate sobre o mesmo, visando o aprimoramento deste instrumento de avaliação e analisando suas inter-relações com os demais. 



http://www.abea-arq.org.br/

A Sala de Aula do Futuro

As Salas de Aulas do Futuro, concebidas a partir de rigorosos estudos ergonômicos, oferecem aos alunos maior conforto quanto à disposição dos computadores, móveis e iluminação para o melhor aproveitamento das atividades de ensino.

1 - SALA DE AULA DO FUTURO PARA ENSINO FUNDAMENTAL


No mundo atual, a informática já faz parte do cotidiano de nossos alunos. Com efeito, a tecnologia está presente nos brinquedos, nas agências bancárias, na TV , no cinema e nos computadores domésticos, levando lazer, serviços, entretenimento e educação. Assim, enquanto usam o computador em seu dia-a-dia, as crianças têm a chance de entrar no mundo da fantasia, superando de forma lúdica as dificuldades de aprendizado dos conceitos de ciências, matemática, física, história etc. Por outro lado, o uso das novas tecnologias permite aos educadores adotarem atitudes não diretivas, aumentando a capacidade criativa dos alunos, tendo em vista que estes passam a caminhar de acordo com sua capacidade de assimilação, escolhendo situações de aprendizagem não delimitadas pelo educador.

Partindo da realidade acima exposta, a Escola do Futuro propõe a Sala de Aula do Futuro para o Ensino Fundamental. Nesta, os alunos podem circular livremente, escolhendo situações de aprendizagem onde bancadas de computadores, vídeo e eletrodomésticos se encontram à disposição de todos. Desta forma, através de "workshops" e seminários, os educadores têm a oportunidade de explorar metodologias para o uso adequado das possibilidades da Sala de Aula do Futuro para o Ensino Fundamental.

2 - SALA DE AULA DO FUTURO PARA ENSINO MÉDIO E SUPERIOR



Esta sala é usada para os cursos de formação contínua de professores dos Ensinos Médio e Superior, assim como profissionais de empresas preocupadas em desenvolver projetos de capacitação utilizando as novas tecnologias de comunicação.

As bancadas de computadores, equipadas com micros multimídia ligados à rede Internet, possibilitam o desenvolvimento de projetos com recursos da telemática e da teleconferência nas mais diversas áreas do conhecimento.

Assim, a Sala de Aula do Futuro para o Ensino Médio e Superior abre a possibilidade de comunicação entre educadores e pesquisadores de diversas partes do mundo, estabelecendo um processo contínuo de desenvolvimento pessoal e profissional fundamentado no acesso à base de dados atualizados e a fóruns de debates com seus colegas em nível nacional e internacional.

3 - A TERCEIRA GERAÇÃO DA "SALA DE AULA DO FUTURO"




Em abril de 1999, a Escola do Futuro da USP foi convidada pela Câmara Brasileira do Livro para organizar um estande de 110m² no “Salão do Livro”, grande evento anual em São Paulo para a promoção e comercialização de livros. O resultado foi um ambiente com cinco setores: três para a exposição das empresas que patrocinaram o esforço conjunto (Siemens, com uma sala de teleconferência que foi muito usada para realizar reuniões eletrônicas com educadores no exterior; Sangari do Brasil, com equipamentos e kits para o ensino de ciências e tecnologia; e o Grupo Suzano, que divulgou o seu trabalho de proteção do meio ambiente na produção de papel e celulose); dois quiosques onde computadores agindo com “display” de multimídia animada mostravam os projetos em andamento da Escola do Futuro; e a nova “Sala de Aula do Futuro, terceira geração”, que representa um acréscimo às idéias de 1995, quando foram conceitualizadas e implantadas no primeiro andar do Centro Maria Antonia da USP, “Salas de Aula do Futuro” que compunham o Centro Capacitação Profissional de Educadores da Escola do Futuro. 

A mais nova sala representa uma solução para as idéias que estão circulando internacionalmente sobre a necessidade de prover grupos que estejam trabalhando com aprendizagem (seja na escola, seja na empresa ou em qualquer organização pública ou privada) com ambientes que facilitem a produtividade. A nossa proposta é um espaço totalmente flexível e de fácil reconfiguração: um conjunto de pranchetas (similares aos estandes para partitura usados pelos músicos) que pode ser disposto como o grupo desejar, e em qualquer configuração — circular, oval, quadrado, retangular, em forma de ferradura ou em bancadas opostas. Em cima de cada prancheta está um computador “notebook” (neste caso usamos os da Logger) para uso individual. E não há nenhum fio ou cabo presente. A fonte de energia é solucionada através da troca da bateria dos computadores a cada três ou quatro horas, e a rede local (LAN e WAN) é realizada através de um sistema (da Lucent) que emprega pequenos cartões de radiodifusão inseridos na abertura para os cartões PCMCIA em cada computador.

Finalmente, rodando nos computadores um software (da SpanWorks), versão beta, ainda em desenvolvimento, para o gerenciamento de reuniões, porque acreditamos que na sociedade de conhecimento o trabalho de todos será o de “aprender e agir”, e que o aumento constante da complexidade no mundo exigirá grupos de especialistas de campos do saber diferentes trabalhando em uma seqüência sem fim de reuniões, ora presenciais, ora virtuais, para realizar suas metas. Eis a terceira geração da Sala de Aula/Sala de Reuniões do Futuro, prestigiada pela Vice-Presidente da República, Marco Maciel, durante o Salão do Livro de 1999.

Centro de Capacitação Profissional
Cidade Univ. Armando Salles Oliveira
Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, travessa 4 bloco 2
05508-900-São Paulo-SP
Tel./Fax: 3814-3690
Tel.: 3091-4928

Coordenação:
Beatriz Rizek
biarizek@futuro.usp.br 

Disponível em: http://www.futuro.usp.br/centro_capacitacao/salas_de_aula.htm. Acesso em: 21/08/2006.

O ensino na primeira escola de arquitetura do Brasil (1)

Cléo Alves Pinto de Oliveira e Maini de Oliveira Perpétuo

No último mês de agosto a Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais completou 75 anos de fundação. Esta data nos motivou a resgatar a trajetória da instituição e, por meio desta, refletir sobre a evolução do ensino de arquitetura no Brasil. O período aqui analisado corresponde à sua fundação – em 1930 – desenvolvimento e consolidação, até 1964, ocasião do Golpe Militar, que desmonta toda a estrutura já implantada.

O início

Até a década de 30, Belo Horizonte contava com pouquíssimos profissionais de arquitetura, ficando os projetos a cargo dos desenhistas ou copistas, que se baseavam nos modelos e padronizações tipológicas defendidos pela Comissão Construtora da Nova Capital.

Em artigo do jornal Estado de Minas, de 1934, é possível perceber a situação reinante na cidade:

“Na construcção de seus edifícios notáveis, um “que” de falta de gosto e de educação artística. A sua architectura não corresponde às suas necessidades de cidade moderna, falta-lhe a modelagem artística do architecto, os seus prédios não satisfazem em seu conjuncto, ressentem-se de falta de harmonia esthetica dando a impressão de que predominou a vontade exclusiva do proprietário leigo do que a arte de quem projetou. Há falta de luz e falta de linhas harmônicas e muita sobra de aberrações artísticas e amontoados de ornamentações sem nenhuma finalidade” (2).

Belo Horizonte contava até então com três cursos de nível superior – medicina, direito e engenharia. Estes cursos foram reunidos em 1927, naquela que foi uma das primeiras universidades do país: a Universidade de Minas Gerais. Diante da carência de outros cursos, um grupo liderado por Luiz Signorelli, um dos arquitetos mais atuantes no cenário belo-horizontino da época, se reuniu com o objetivo de “organizar uma escola de formação de técnicos da arquitetura e profissionais das artes auxiliares, como decoradores, escultores e pintores” (3).

Assim, em 05 de agosto de 1930, foi fundada a Escola de Arquitetura de Belo Horizonte, sendo a primeira escola da América do Sul desvinculada das Escolas Politécnicas e de Belas Artes.

A primeira geração de professores

A Escola de Arquitetura foi formada por profissionais de diferentes áreas – arquitetos, engenheiros, artistas, advogados e médicos – cada qual contribuindo com seu conhecimento específico para a formação do arquiteto generalista.

A maioria dos profissionais que fundaram a Escola de Arquitetura constituía-se por engenheiros que se encarregaram de lecionar as disciplinas técnicas e de cálculo. Porém, alguns deles, como Luiz Signorelli, arquiteto, e Aníbal Mattos, pintor, cursaram a Escola Nacional de Belas Artes, instituição tradicional e certamente a mais prestigiada do país em termos de formação artística. Nascida com a vinda da Missão Francesa para o Brasil e sob a influência direta de seus membros, pregava o academicismo nas artes, incutindo em seus estudantes o apuro do traço, das proporções e das ordens clássicas.

Alunos durante aula teórica. Serviço de Foto-Documentação Sylvio de Vasconcellos, década de 1950







A primeira geração de professores apresentava uma forma de ensino tradicional, sem participação dos estudantes. O ex-aluno (de 1955 a 1959) e ex-professor Ronaldo Masotti atribui a didática adotada à formação própria da época: “Os catedráticos fundadores já eram idosos, já estavam de cabeça meio branca, tinham aquela postura dos professores de antigamente, de ficar num trono, num pedestal, os alunos abaixo. Não para punir ninguém, mas porque era assim” (4). Por outro lado, Masotti afirma que a formação dos fundadores era mais completa, tendo um caráter mais humanístico e que quase todos sabiam discutir assuntos variados, eram mais cultos.

No início, poucos professores inovavam nos métodos de ensino, avaliação ou mesmo temas para “Grandes Composições de Arquitetura”, disciplina que corresponderia atualmente à de “Projeto”. Segundo Raphael Hardy Filho, aluno entre os anos de 1931 em 1937 e ex-professor da Escola de Arquitetura, o tema mais original proposto em seu período de estudante consistiu na elaboração de um projeto para um farol em alto mar, sendo que muitos dos alunos sequer conheciam o mar (5).

De ex-alunos a professores

O perfil dos professores começou a mudar quando os primeiros alunos formados pela Escola retornaram à instituição para nela lecionarem. Entre eles estavam Shakespeare Gomes, Raphael Hardy Filho, Sylvio de Vasconcellos e Eduardo Mendes Guimarães.

Segundo Ivo Porto de Menezes, que estudou na Escola entre 1950 e 1954:

“Nós tínhamos as aulas práticas, de Projeto, geralmente com professores mais atualizados, mais novos. Tive excelentes professores nesse campo. Eram professores muitos deles ainda sem grande tradição de ensino e conseqüentemente mais liberdade. Por isto, os alunos tinham melhor acesso a eles para perguntar, para indagar e até ir a seus escritórios para conversar, inclusive sobre o trabalho que estavam executando” (6).

Entretanto, entre as duas gerações que formavam o corpo docente da Escola – fundadores e ex-alunos – existia um conflito no que diz respeito aos métodos de ensino e opiniões pessoais quanto aos rumos que a arquitetura vinha tomando. Enquanto os professores mais novos inclinavam-se para a arquitetura moderna, os antigos mantinham-se fiéis a estilos consolidados, como o Art Déco.

Esta diferença de postura pode ser percebida claramente em texto escrito pelo arquiteto e fundador Professor Luiz Signorelli:

“Aproveitando o ensejo de vos falar, confesso com sinceridade a reserva com que a princípio recebi os primeiros rebates da nova arquitetura, para com um tempo relativamente curto aceitá-la sem restrições. Diante de tão palpitante assunto devo dizer que manterei sempre como ponto de vista aplicar no moderno a proporção clássica nas suas manifestações, adaptando-as do nosso meio” (7).

Tal conflito estendia-se também às salas de aula. Ivo Porto de Menezes lembra de um episódio ocorrido na disciplina “Desenho Artístico”, lecionada por Raffaello Berti. Segundo Ivo Porto, o professor propôs como tema da prova o projeto de uma “Porta de Banco”. “O professor havia dito que ele não era moderno, não gostava muito da arquitetura moderna, era mais tradicional e quem fizesse moderno, daria zero” (8). Mesmo assim Ivo e alguns outros colegas não conseguiram seguir a orientação do professor e fizeram portas simples, com linhas mais puras. Pois foram estes alunos que conseguiram a nota máxima: “ele simplesmente viu nosso trabalho e deu valor ao trabalho, apesar de não ser dentro do espírito dele; ele não faria aquilo. Respeitou o nosso pensamento” – conta o ex-aluno.

Nos exemplares da revista Arquitetura – Engenharia, Urbanismo, Belas-Artes e Decoração, criada pelo órgão oficial dos alunos da Escola no ano de 1946, fica nítido esse período de transição no ensino e na produção arquitetônica. Na publicação eram divulgados projetos de alunos desenvolvidos nas disciplinas de “Grandes Composições de Arquitetura”, “Pequenas Composições de Arquitetura” e “Arte Decorativa”, as quais apresentavam orientações distintas (9).

Os trabalhos executados na disciplina “Arte Decorativa” seguiam uma linha tradicional, fundamentada no uso de elementos clássicos e proporção áurea. Certamente a formação artística clássica dos professores Aníbal Mattos e Raffaello Berti era responsável por este direcionamento e se refletia também nos temas propostos: “Um púlpito bizantino”, “Um púlpito romano”, “Portão de entrada para um parque”, “Túmulo”, “Altar neo-clássico”, entre outros.

Em relação aos projetos realizados nas disciplinas “Grandes Composições de Arquitetura” e “Pequenas Composições de Arquitetura” predominava a estética modernista, através do emprego de elementos como lajes planas e delgadas, telhados ‘borboleta’, rampas, brises e pilotis. Os demais projetos apresentavam características transitórias: utilizavam o vocabulário modernista mesclado a composições simétricas, baseadas na rigidez dos eixos e nas proporções clássicas.



O ensino

Além do embate entre estilos, nota-se também uma grande dissociação entre teoria e prática nas disciplinas. Tal fato era constantemente abordado pelos alunos da Escola de Arquitetura no jornal P.V. – Ponto de Vista, informativo de circulação interna publicado por um grupo de alunos nos primeiros anos da década de 50. Neste, as opiniões eram expressas de forma contundente:

“Achamos muito interessante o curso de maquetes que é ministrado na Escola de Arquitetura da USP. É ministrada também, aos sábados, uma aula prática de construção onde, sob a orientação de um mestre competente aprendem como se deve assentar bem um tijolo, fazer amarrações, colunas, etc. [...]. Ao contrário, vemos sair de nossa Escola muitos Engenheiros-Arquitetos que não sabem nada na prática, mas apenas na teoria, tomando verdadeiros “bailes” dos incultos pedreiros” (10).

Ainda, segundo Ronaldo Masotti, o curso de Arquitetura possuía um grave problema de integração entre as disciplinas, pois estas eram extremamente dispersas e não apresentavam nenhum tipo de relação.

Com o intuito de aprofundar tais questões, procuramos investigar a abordagem das disciplinas teóricas, técnicas, artísticas e de projeto na Escola de Arquitetura.

As disciplinas de projeto dividiam-se entre Grandes e Pequenas Composições de Arquitetura. Nestas, como relata Masotti, os alunos executavam trabalhos práticos muito abstratos, sem nenhuma contextualização e no último mês de cada semestre realizavam-se provas parciais nas quais os alunos tinham de um a três dias para elaborar, dentro de sala de aula, um projeto cujo tema era surpresa.

Quanto à avaliação, os alunos não tinham conhecimento sobre os critérios usados pelos professores para avaliar os projetos.

“quando a gente estava fazendo o primeiro ano de projeto, o pessoal falava: “Quando vocês fizerem o segundo – quem dava aula era o Shakespeare Gomes – vai ser ótimo porque ele comenta e corrige!”. Quando chegava lá, ele devolvia o trabalho e te anotava: “Planta: boa. Fachada: razoável”. [risos] Isso quando era bem longo! Assim, você aprendia porque tinha vontade de aprender” (11).

Não havia nenhuma instrumentação prévia dos estudantes em desenho técnico antes de cursarem as disciplinas de “Composições de Arquitetura”. De acordo com Masotti aprendiam-se as convenções de desenho arquitetônico em escritórios ou com alunos mais experientes.

Quanto às disciplinas técnicas, alguns ex-alunos consideram sólida a formação dada pela Escola. No caso da disciplina Física Aplicada, Celso de Vasconcellos Pinheiro relata:

“a nossa física chamava-se Física Aplicada. Não tinha aquele negócio de teorias e fórmulas. A gente estudava iluminação, condicionamento de ar, acústica. Estudava isso então saia com um conhecimento muito grande. Não com detalhes, mas a gente sabia o que era importante nisso. Se nós tivéssemos que fazer um projeto, saberíamos aonde buscar informações mais modernas sobre o conceito de conforto” (12).

As disciplinas artísticas possuíam uma abordagem clássica. As atividades realizadas em Desenho Artístico, segundo depoimentos, resumiam-se a executar desenhos de bustos de gesso existentes na Escola. Na disciplina Modelagem o enfoque não era muito diferente, uma vez que os alunos faziam cópias de modelos em argila. A queixa usual dos estudantes diz respeito ao fato de que essas disciplinas, por sua natureza criativa, pouco desenvolviam a criatividade dos alunos.

“Na escola da Universidade de São Paulo, notamos principalmente a eficiência do curso de modelagem (plástica) no qual não se aprende a modelar folhas, flores, bustos ou dentaduras, etc..., mas, dados diversos sólidos os alunos estudam a melhor disposição de volumes. Isto será de grande ajuda para seus futuros projetos. Hoje não mais necessitamos de esculpir figuras humanas ou flores em fachadas, para isso existe o curso de Belas Artes” (13).

Quanto às disciplinas teóricas ministradas na Escola, observam-se grandes diferenças de abordagem e metodologia de ensino.

A cadeira Arquitetura Analítica enfocava a evolução dos estilos arquitetônicos ao longo da história, atendo-se aos aspectos estéticos da edificação e ao emprego dos materiais de construção e revestimentos. Por meio das anotações de aula (14), percebe-se a orientação da disciplina, na qual se estudavam os estilos arquitetônicos detalhadamente, sempre seguindo uma ordem pré-determinada: começava-se introduzindo os aspectos sociais e físicos do local em questão, passando por elementos compositivos usados – como a descrição minuciosa das ordens clássicas – e por fim a análise de alguns edifícios significativos. O programa da disciplina restringia-se aos estilos antigos, enfatizando exageradamente alguns deles, como é o caso do gótico, que era subdividido em 6 categorias: francês, inglês, alemão, italiano, espanhol e português.

Abordava-se a arquitetura moderna de maneira superficial. Em um dos cadernos de anotação de aula são expostos alguns preceitos teóricos, principalmente em relação a Le Corbusier e Walter Gropius. Há croquis de projetos de Rino Levi, Oscar Niemeyer e Afonso Eduardo Reidy, entre outros.

Parte da carga horária da disciplina Arquitetura Analítica era reservada para atividades práticas, orientadas por um Professor Assistente. Durante as aulas os alunos reproduziam pranchas da coleção inglesa Bunnister – uma compilação de livros e pranchas ilustradas com toda a história da arquitetura. Ronaldo Masotti relata que apesar dos estudantes considerarem uma inutilidade executar as cópias, nesta disciplina ele aprendeu a pregar o papel na prancheta, a usar esquadro e a escala.

Práticas como essas eram repudiadas pelos alunos, como registrado no jornal P.V.:

“Eu quero dar o grito de alarme. A Escola está anestesiando, sufocando e escravizando os alunos de arquitetura. Estão sendo transformados em autômatos reprodutores de fórmulas antiquadas e quinquilharias de arquitetura. É a campanha da imbecilização: tornar os alunos mais boçais e burros para que os professores possam brilhar e ter uma vida mais sossegada [...] Queremos a liberdade de procurar nos livros aquilo que a Escola não ensina ou ensina mal” (15).

Por outro lado, a disciplina Arquitetura no Brasil possuía um enfoque diferenciado. A cadeira era ministrada pelo catedrático Sylvio de Vasconcellos, considerado um dos mais competentes professores da época. Nesta, os alunos eram incentivados a ler, pesquisar e debater não só os assuntos diretamente ligados ao tema da disciplina, mas também quaisquer outros que se relacionassem a esses.

“A cadeira de “Arquitetura no Brasil” abria um painel amplo e livre aos fundamentos da arquitetura e, não raro, era a oportunidade de os alunos questionarem toda a ortodoxia acadêmica ministrada nas demais disciplinas. Não é demais afirmar que o Professor, então, conseguia uma atividade letiva de nível realmente universitário” (16).

Sylvio de Vasconcellos foi talvez o primeiro professor a inovar nos métodos de avaliação. Numa época em que esta era composta apenas por provas escritas e orais, ele propunha trabalhos com temas de livre escolha, desde que o assunto estivesse relacionado com o programa da disciplina. Segundo Ivo Porto de Menezes, os alunos deveriam elaborar uma pequena monografia e, apesar de terem que fazer a prova para cumprir as normas, a nota valia mesmo para o trabalho. Assim, este aspecto mostra que a inovação não aconteceu facilmente.

Uma grande dificuldade enfrentada pelos alunos em todas as disciplinas era a falta de livros-texto, que fazia com que eles dependessem muito das anotações feitas na aula. No 2º número do jornal P.V., de novembro de 1951, um dos alunos critica:

“Achamos que o professor poderia, na aula, aproveitar mais o tempo, fazer maiores comentários, ilustrar mais o assunto, tornando-a bem mais interessante e instrutiva. [...] Mesmo professores como Mazoni e Boltshauser ditam suas aulas. É pena, pois com a cultura e talento que têm, poderiam dar belas aulas, verdadeiras conferências Mas não, preferem perder um tempo enorme com tais ditados. Poderiam argumentar com a falta de livros práticos sobre a matéria; mas, como já dissemos, temos o recurso da apostila, que poderia conter o essencial do assunto. Francamente, não vemos nenhuma vantagem, mas só desvantagens nas aulas ditadas” (17).

Este problema foi minimizado na década de 50 com a implantação da Seção de Pesquisa, do Serviço de Foto Documentação e da Gráfica da Escola, criados pelo Professor Sylvio de Vasconcellos. Nesta última eram publicados e impressos livros escritos pelos professores, os quais serviam de base para o ensino das disciplinas e divulgavam o conhecimento produzido na instituição. Estes órgãos tiveram extrema importância não só na Escola, mas também no país, tendo atingido grande prestígio.

As conseqüências do Golpe

Entretanto, grande parte da estrutura de ensino e pesquisa montada principalmente a partir da segunda metade da década de 50, foi desfeita por ocasião do Golpe Militar de 1964. Alguns dos acontecimentos mais radicais foram o fechamento do Instituto Superior de Pesquisas para Planejamento, considerado subversivo pelos militares e o exílio do Professor Sylvio de Vasconcellos, que segundo o Diário da Justiça:

“facilitou, acompanhou, permitiu, tomou parte, consciente e deliberadamente, em todas as atividades comunizantes ou cubanizantes, dentro e fora da Escola que dirigia, tentando mudar a ordem política e social estabelecida na Constituição e a tomada de poder; [...] cartazes que ofereciam aulas de marxismo, também ostensivamente; duas vezes por semana, pelo menos, os favelados de Belo Horizonte iam para a sua Escola, para se doutrinarem com a pregação revolucionária, de origem espúria e estrangeira; tocavam-se discos cubanos, com hinos e discursos de Fidel Castro” (18).

O Golpe afetou profundamente não só a vida acadêmica da Escola, como também o ambiente intelectual devido ao clima de insegurança política instaurado.

Outro acontecimento que trouxe mudanças significativas para a Instituição foi a Reforma Universitária em 1969, principalmente com relação à departamentalização da Escola. Como conseqüência, o ensino de arquitetura passou a ser responsabilidade de dezoito departamentos pertencentes a sete Unidades Universitárias e assim, a Escola de Arquitetura passou a sediar apenas quatro deles, estrutura que se mantém até os dias atuais.

Balanço

Desde sua fundação a Escola de Arquitetura trilhou um caminho paralelo à evolução da própria arquitetura moderna brasileira, passando do academicismo ao experimentalismo modernista. As obras pioneiras de Lúcio Costa e Niemeyer, especialmente a partir do advento da Pampulha na década de 40, constituíram o grande referencial para as primeiras gerações de alunos daí egressos. A influência modernista, talvez por sua natureza doutrinária, ainda é latente no ensino ministrado na instituição, tendo os estudantes até hoje dificuldade de se desvincular de seus preceitos.

Nos 75 anos dessa que foi a primeira escola de arquitetura do país, cabe destacar o pioneirismo de seus fundadores. Sem tal iniciativa não teria sido possível o surgimento de uma arquitetura moderna autêntica no estado. Assim, muito do que a arquitetura mineira se tornou se deve aos profissionais que nela lecionaram e estudaram.

Contudo, as questões fundamentais expostas neste artigo permanecem, revelando que estas são atemporais: vivenciamos diariamente os mesmos conflitos das gerações passadas: a desintegração entre as disciplinas, a dissociação entre teoria e prática (continuamos tomando verdadeiros bailes dos pedreiros!) e a busca pela instrumentação nos escritórios de arquitetura.

O contato com essa trajetória nos provocou sentimentos distintos. Se por um lado nos entristecemos ao constatar que as grandes questões continuam as mesmas, por outro nos reconhecemos em todos que pela Escola passaram. Ao compartilhar esta história desejamos que a memória daqueles que a construíram não se perca. O resgate dos primeiros anos da Escola de Arquitetura constitui fator primordial para a construção da identidade da instituição, bem como para a consciência de sua trajetória e importância para a história do país.

Notas

1 Este texto é fruto da pesquisa de iniciação científica “Arquitetura numa cidade moderna – ensino e produção (1930-1964)”, orientada pelo Professor Dr. Leonardo Barci Castriota e desenvolvida pelas bolsistas Cléo Alves Pinto de Oliveira e Maini de Oliveira Perpétuo na Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais no período de maio de 2003 a maio de 2004. A pesquisa foi financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG).

2 CASTRO, José. “Pelo Reconhecimento Official da Escola de Architectura”. Estado de Minas, Belo Horizonte, 16 jan. 1934.

3 FIGUEIREDO, João Kubitschek de. “A Escola de Arquitetura e sua história”. Arquitetura, Engenharia, Urbanismo, Belas Artes e Decoração. Ano I, set./out. 1946.

4 MASOTTI, Ronaldo. Ronaldo Masotti: inédito. Belo Horizonte, 2004. Entrevista concedida a Cléo Alves Pinto de Oliveira e Maini de Oliveira Perpétuo.

5 HARDY, Raphael. Raphael Hardy: inédito. Belo Horizonte, 2004. Entrevista concedida a Cléo Alves Pinto de Oliveira e Maini de Oliveira Perpétuo.

6 MENEZES, Ivo Porto. Ivo Porto de Menezes: inédito. Belo Horizonte, 2003. Entrevista concedida a Cléo Alves Pinto de Oliveira e Maini de Oliveira Perpétuo.

7 SIGNORELLI, Victor. Victor Signorelli: inédito. Belo Horizonte, 1998. Entrevista concedida para o Projeto Memória da Arquitetura e da Construção Civil em Belo Horizonte. Parceria entre CRAV- PBH, IAB/MG e UFMG.

8 MENEZES, Ivo Porto. Ivo Porto de Menezes: inédito. Belo Horizonte, 2003. Entrevista concedida a Cléo Alves Pinto de Oliveira e Maini de Oliveira Perpétuo.

9 Exemplares da revista Arquitetura – Engenharia, Urbanismo, Belas-Artes – década de 40 – Encontrados na Biblioteca Prof. Rafaello Berti da Escola de Arquitetura de Minas Gerais.

10 PONTO DE VISTA – P. V., 1952.

11 MASOTTI, Ronaldo. Ronaldo Masotti: inédito. Belo Horizonte, 2004. Entrevista concedida a Cléo Alves Pinto de Oliveira e Maini de Oliveira Perpétuo.

12 PINHEIRO, Celso de Vasconcellos. Celso de Vasconcellos Pinheiro: inédito. Belo Horizonte, 2004. Entrevista concedida a Cléo Alves Pinto de Oliveira e Maini de Oliveira Perpétuo.

13 P. V., 1952 (?). Exemplares do Jornal Ponto de Vista – P. V. – década de 50.

14 Cadernos de alunos da disciplina Arquitetura Analítica predominantemente da década de 50. Encontrados na Biblioteca Prof. Rafaello Berti da Escola de Arquitetura de Minas Gerais.

15 P. V., 1952 (?).

16 MASOTTI, Ronaldo. Ronaldo Masotti: inédito. Belo Horizonte, 2004. Entrevista concedida a Cléo Alves Pinto de Oliveira e Maini de Oliveira Perpétuo.

17 P. V., 1951.

18 DIÁRIO Oficial. Edital de Citação. Justiça Militar – auditoria da 4ª R.M. de 24 jun. 1966.


(Obs.: Algumas ilustrações foram excluídas do texto original. Para ter acesso a elas, ir para o link indicado no início do texto).

ARQUITEXTOS ((ISSN 1809-6298)
Texto Especial 336 – novembro 2005
Disponível em: http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq000/esp336.asp

PESQUISA SOBRE HABILIDADES NO TEMPO

Quer saber como anda sua atuação na administração eficiente do tempo? Responda as questões abaixo, o mais próximo possível da realidade. Depois confira o resultado.


Responda às questões com: Nunca - Às vezes - Várias vezes - Sempre

1)Você chega aos seus compromissos no horário combinado e sempre bem preparado em caso de reuniões/aulas:

2)Você verifica se há um relógio à vista nas salas de reunião/espera/aula/escritório:

3)As reuniões/encontros que você organiza, sejam de trabalho ou de lazer, costumam atingir os objetivos que você esperava:

4)As reuniões/encontros que você organiza costumam cumprir o horário previsto:

5)Você abre e examina as correspondências e documentos que recebe assim que eles chegam às suas mãos:

6)Lê, mesmo que rapidamente, todos os artigos importantes de jornais e revistas:

7)Você tira seu nome da lista de circulação de publicações/e-mail´s que não lê:

8)Você lê as mensagens recebidas por e-mail/carta/etc no mesmo dia em que as recebe:

9)Você consegue terminar as tarefas sem ser interrompido por colegas e/ou familiares:

10)Você decide quantas vezes pode ser interrompido ao longo do dia, em casa, na escola ou no trabalho:

11)Você reserva horários específicos para receber visita de amigos ou colegas, em casa ou no trabalho:

12) Você fecha a porta do escritório ou do seu quarto quando quer pensar em estratégias ou trabalhar:

13)Você diz às pessoas que retornará suas chamadas em seguida e cumpre isso:

14)Você costuma limitar a duração das chamadas telefônicas:

15)Você permite que um auxiliar, amigo, familiar ou secretaria “filtre” os telefonemas:

16)Você define quantas ligações você vai receber enquanto está realizando alguma tarefa importante:

17)Você passa os olhos pelas mensagens assim que recebe:

18)Você deixa para ler mais tarde as mensagens que recebe:

19)Você mantém sua caixa de entrada com um volume tolerável de mensagens:

20)Você sempre está limpando sua mesa/quarto do excesso de coisas e papéis:

21)Você delega a colegas/ familiares tarefas que poderia fazer pessoalmente:

22)Você sempre faz o acompanhamento das tarefas que delegou:

23)Você estimula os colegas a limitar suas mensagens para serem o mais breve possível:

24)Você avalia quem deve tomar conhecimento das informações que você transmite, em casa, escola ou trabalho:

25)Você mantém o equilíbrio entre o tempo para planejar e o tempo para executar tarefas:

26)Você elabora uma lista de atividades que têm que ser realizadas em cada dia:

27)Você tenta trabalhar um número determinado de horas, sem ultrapassá-lo:

28)Você faz um esforço para manter contato pessoal com seus colegas, amigos e familiares:

29)Você se concentra nas qualidades positivas das pessoas com as quais convive:

30)Você se certifica de que está em dia com as novidades tecnológicas:

31)Você armazena seus e-mail´s com o objetivo de lê-los mais tarde:

32)Você promove “faxinas” regulares nos seus arquivos de computador:


PESQUISA SOBRE HABILIDADES NO TEMPO

RESPOSTA:

Nunca – 1 ponto
Às vezes – 2 pontos
Várias vezes – 3 pontos
Sempre – 4 pontos

32–64 pontos – Aprenda a usar seu tempo com eficiência e reduza as horas gastas em atividades improdutivas
65-95 pontos – Você tem habilidades para administrar o tempo, mas pode melhorá-las.
96-128 pontos – Você usa seu tempo de modo eficiente. Busque modos de aperfeiçoar ainda mais suas práticas.

(PUBLIFOLHA. Como Administrar o tempo. Série Sucesso Profissional. Divisão de publicações do Grupo Folha. 1999)

As desaprendizagens do professor

As "desaprendizagens" do professor
Julio César Furtado Dos Santos

As ações de nós professores em sala de aula baseiam-se, há séculos, em crenças fortemente sedimentadas. Essas crenças alimentam o que podemos chamar "hábitos de resistência" a uma mudança mais profunda em nosso fazer. Tal resistência nada mais é do que o sinal claro de que não sabemos outra forma de caminhar. Temos que desaprender.

As desaprendizagens de hábitos, há muitos séculos enraizados por parte do professor, passam, necessariamente, pela mudança das crenças limitantes que alimentam "tais raízes". Observando-se a ação do professor em sala de aula percebe-se a necessidade urgente da desaprendizagem dos seguintes hábitos:

Ensinar é falar
- O hábito: A linguagem oral sempre foi o principal meio de comunicação entre os homens. A oratória sempre foi o nosso principal meio de ensinar. Desde a Antigüidade, falar sempre foi a forma mais contemplada de ensinar.

- A crença: O professor que melhor fala é o que melhor ensina. Ensinar talvez possa ser reduzido ao "bem falar". Aprende-se, principalmente, através do ouvir. O que é ouvido não precisa, necessariamente, ser processado, mas "absorvido", "gravado". Todas as pessoas absorvem bem o que ouvem e todos têm a audição como canal preferencial de aprendizagem.

- A reaprendizagem: Aprender, a partir da ação, do exemplo, é muito mais significativo do que aprender a partir do discurso. O que é ouvido precisa ser processado, refletido, sintetizado e ganhar sentido no contexto mental de quem ouve. As pessoas não ouvem as mesmas coisas. O que é ouvido é contaminado pela maneira de ver o mundo de cada um, que é fruto da história de vida. Nem todos elegem a audição como seu canal preferencial de aprendizagem. A maioria das pessoas é visual, ou seja, as imagens são essenciais para seu processo de aprender. Outras aprendem melhor através dos sentidos. Essas precisam experimentar para aprender.

Professor fala e aluno ouve
- O hábito: Normalmente, a fala, em sala de aula se estabelece em via de mão única. O diálogo não é prática comum no processo de aprendizagem. Ficamos, às vezes, aborrecidos quando o aluno fala na nossa hora de falar.

- A crença: A aprendizagem é tão maior, quanto mais atenciosamente os alunos ouvem o que o professor fala. Tomar nota do que ouve aumenta a possibilidade de "aprender". O silêncio favorece aprender a partir do que é ouvido. Só é possível aprender, quando quem ensina está em posição ativa (o que fala) e quem aprende está em posição passiva (o que ouve). Falas paralelas atrapalham o processo de aprendizagem. O aluno não tem nada a dizer a respeito do que está sendo falado.

- A reaprendizagem: A aprendizagem não ocorre, necessariamente em relação direta com a passividade. O diálogo, a discussão, ao longo da exposição de temas, intensifica a aprendizagem. O aluno pode ter muito a dizer sobre o que está sendo exposto e esse conteúdo pode ser enriquecedor para o grupo, inclusive para o professor.

Aprender é reproduzir
- O hábito: A reprodução do que foi ensinado é a demonstração de que houve aprendizagem. Propomos aos alunos muito mais atividades que privilegiam a reprodução do que foi ensinado do que a produção, a partir do que foi aprendido.

- A crença: Aprender é reproduzir o que está pronto. Aprendizagem não é processo pessoal, que sofre adequação, reconfiguração. É, sim, processo mecanicista de apreender o mundo tal qual ele é e está, de forma homogênea. O conhecimento não é construído ou reconstruído, mas sim absorvido, apreendido.

- A reaprendizagem: Aprender é processo produtivo, pessoal e reconfigurativo. A objetividade do conhecimento é um mito. Conhece-se de forma subjetiva, interativa e reconstrutiva. O mundo não pode ser apreendido de forma homogênea. A apreensão do mundo se dá a partir dos olhares que lançamos para ele. Esses olhares são temperados por nossas crenças, valores e expectativas.

Errar é o contrário de acertar
- O hábito: Quando um aluno erra um exercício é porque ele não aprendeu. Apontamos o erro para que ele possa repetir até que "acerte", ou seja, até que ele chegue à resposta esperada. Quando um aluno acerta freqüentemente significa boa aprendizagem. Somente o acerto deve ser validado, pois somente quando acertamos, demonstramos que aprendemos.

- A crença: Quando se aprende não se erra. Quando ocorre o erro é porque não houve aprendizagem. Somente acertos traduzem sucesso. Somente acertos são produtivos. O erro deve ser eliminado. O erro é sempre indesejável. O erro é inútil. É impossível acertar, errando. Erro e acerto são dimensões mutuamente excludentes. Erro é ausência de aprendizagem.

- A reaprendizagem: Se aprender é processo predominantemente produtivo, a experimentação ganha imensa importância nesse ato. O ato de experimentar engloba naturalmente o erro. Fala-se aqui, do erro produtivo. Referimo-nos ao erro que possibilita aprendizagem. O erro que nos facilita achar o caminho do acerto. Logo, o erro pode, também, levar ao sucesso e ser produtivo. O erro é importante e parte integrante do processo de aprender e, de certa forma, é desejável para que o acerto seja construído. O acerto antecedido de erros se configura de maneira mais sedimentada e consistente. Erro e acerto são dimensões não excludentes do processo de aprender.

Bom aluno é aluno obediente
- O hábito: Valorizamos excessivamente a obediência no processo de classificação do bom aluno. Parece-nos pré-requisito essencial do mesmo. Geralmente punimos o aluno que não "faz como dissemos para ser feito". Lançamos para este um olhar de reprovação e sentimo-nos ultrajados, desobedecidos, desrespeitados. A partir desse hábito, altamente comum na prática docente, proibimos o aluno de nos contradizer, complementar ou até mesmo desafiar. Rotulamos de "chato" o aluno que insiste em se comportar dessa forma "desobediente".

- A crença: A postura do aluno para com o professor deve ser sempre a de obediência. O aluno deve fazer, sem questionar, tudo o que o professor ordenar. Desobedecer é sinal de indolência, desacato. A verdade é exclusividade do professor, logo, o papel do aluno é sempre o de obedecer ao professor. Obedecer sempre ao professor leva o aluno a aprender mais e melhor. O aluno é vazio, logo, não pode ter iniciativa própria.

- A reaprendizagem: Desobedecer não é sinônimo de desacatar. O desacato fica por conta do nosso olhar. Desobedecer significa não seguir as regras impostas; significa ousar, quebrar uma lógica; fazer diferente. A punição freqüente de toda e qualquer desobediência impede o desenvolvimento de uma das atitudes mais essenciais para a aprendizagem nesse novo século: quebrar paradigmas, ousar, reconfigurar. É, no mínimo, contraditório termos que educar para a mudança, para a reconfiguração constante, reprimindo permanentemente a ousadia.

Só se ensina seguindo-se a fórmula: Início - Meio - Fim
- O hábito: Os alunos, às vezes, nos dão sinais de que já refletem a cerca de um fato; de que já possuem informações e formam algum juízo sobre uma determinada realidade. Esses sinais, no entanto, nem sempre são captados por nós professores, que insistimos em ignorá-los e "dar o conteúdo" seguindo a nossa tão conhecida fórmula: introdução - desenvolvimento - conclusão - fixação - avaliação. Esse hábito, muitas vezes, provoca uma sensação de desrespeito no aluno. Tudo o que ele traz não serve para nada. Nós repetimos, dentro de uma lógica pré-estabelecida, o conhecimento pronto do início ao fim. Nos falta habilidade de começarmos pelo meio, ou quem sabe pelo fim e assessorar o aluno para que ele construa o início-meio-fim à sua maneira.

- A crença: O aluno pode fazer algum comentário sobre o assunto, mas não sabe, ao certo, do que está falando. O conhecimento, para todos, possui uma mesma estrutura, predefinida. Não seguir a estrutura "lógica" do conhecimento impede o aluno de aprender. O aluno é incapaz de organizar o conhecimento por si só. É preciso que eu, professor, organize para ele.

- A reaprendizagem: Os alunos, muitas vezes, estão melhor informados do que imaginamos. Eles, em geral, têm mais tempo para interagir com a mídia, que está cada vez mais didática. O conhecimento não possui uma estrutura uniforme. A estrutura do processo de conhecer assemelha-se mais ao caos do que à lógica positivista. Dessa forma, o processo de aprendizagem individual não segue, necessariamente, uma estrutura lógica. O aluno pode e deve organizar o seu próprio conhecimento. Quando o professor organiza para ele, não permitindo que ele o faça, está dificultando o seu desenvolvimento. A aprendizagem é processo que ocorre independentemente da intenção de ensinar e, às vezes, para sorte de nossos alunos, apesar da nossa intenção de ensinar.

Avaliação é instrumento de manutenção do poder
- O hábito: Dizemos que a atividade será objeto de avaliação da aprendizagem como forma de imposição da nossa vontade. Fazemos essa declaração em forma de ameaça ou de vingança, quase que profetizando que os alunos terão dificuldades. Temos o hábito de usar a avaliação como instrumento de manutenção de nosso poder, na maioria das vezes apostando no fracasso dos alunos.

- A crença: Se não submetermos os alunos à tensão de uma avaliação, eles não dão o valor merecido ao processo de aprendizagem. Professor só é respeitado pelo seu poder de julgar, avaliar e atribuir notas. No fundo, o que importa é a nota.

- A reaprendizagem: Aprender é ato que precisa ser motivado. A aprendizagem é tão mais significativa, quanto maior motivo interno ela possui. O desafio é fazer nascer esse motivo dentro do aluno e não criá-lo fora dele. Aprender para tirar boa nota é motivo que se extingue ao se obter a nota requisitada e, na maioria das vezes, termina também aí o sentido do que foi aprendido. O professor conquista o real respeito dos alunos, quando consegue levá-los a manter vivos os seus motivos para aprender.

Indisciplina é sempre falta de respeito
- O hábito: Aluno, grupos de alunos ou turmas indisciplinadas são sempre encaradas como "rebeldes sem causa". Não se justifica nós, professores, estarmos ali, empenhados em ensinar e os alunos não estarem interessados no que temos a dizer ou a propor. A falta de interesse em aprender é sempre um ato indisciplinar que desrespeita, a priori, a figura do professor.

- A crença: Indisciplina é sempre sinal de desinteresse infundado. Os alunos têm que estar sempre dispostos a aprender o que temos para ensinar, independentemente do método que usemos, da linguagem que utilizemos ou da motivação que apresentemos. Indisciplina é, sempre, falta de respeito.

- A reaprendizagem: Indisciplina, geralmente, é sinal de desinteresse, sim. A questão é que nós, professores somos parte inseparável desse processo. Precisamos estudar a melhor maneira para que os alunos (ou pelo menos a maioria deles) se interessem por aprender. O aluno não tem a obrigação de estar naturalmente disposto a aprender. Precisamos considerar o nível de interesse do aluno ao planejarmos uma aula. Precisamos "ouvir" a indisciplina como um sinal de que a aula não vai bem e partirmos daí para criarmos uma cumplicidade com os alunos e mudarmos o rumo das coisas. Indisciplina, às vezes, é sinal de que estamos precisando mudar.

Por um professor que "não sabe".
Nós, professores, vimos, ao longo do tempo, baseando nossas ações em crenças rígidas, criadas ao longo da história e mantidas por nossa insegurança de mudar. Estamos diante da Era da Incerteza, com a função de prepararmos nossos alunos para a mudança e nos mantemos ainda arraigados à existência de verdades absolutas, de posturas inflexíveis e fundamentados em um modelo comportamental de aprendizagem. Sabemos que o melhor caminho para a mudança de hábitos é a mudança de crenças e mudar crenças é um processo doloroso, que, às vezes, parece nos tirar o chão.

Precisamos construir novo chão. Um chão que esteja dentro de nós, para que possamos pisá-lo por inteiro. Não há mais chão que seja seguro todo o tempo. Qualquer chão é acidentado, exige que fiquemos atentos a cada metro quadrado. Não há mais lugar para certezas absolutas. Precisamos ensinar as verdades relativas. Precisamos ensinar flexibilidade, convívio em grupo, habilidades de relação, ousadia, quebra de lógicas, prontidão para mudar. Como ensinarmos isso sem sermos isso? Como favorecer essa aprendizagem instrumental, usando instrumentos que não mais funcionam?

Para que possamos implementar de fato o "aprender a aprender" precisamos aprender a "desaprender" nosso modelo de ensinar. E não esqueça: desaprender e reaprender são tarefas que só têm êxito quando aliamos nossa inteligência e nossa vontade a serviço de nossa autodeterminação.

© 2007 - Revista Profissão Mestre. (http://www.profissaomestre.com.br/php/verMateria.php?cod=2001)

Alguns textos que trabalhamos para repensar a educação e o relacionamento professor-aluno-aluno

A LIÇÃO DA BORBOLETA

Um dia, por uma pequena abertura em um casulo, um homem sentou e observou a borboleta por várias horas, conforme ela se esforçava para fazer com que seu corpo passasse através daquele buraco.
Então parece que ela parou de fazer progresso.
Parece que ela tinha ido o mais longe que podia e não conseguiria ir mais além.
Então o homem decidiu ajudar a borboleta. Pegou uma tesoura e cortou o restante do casulo. A borboleta saiu facilmente, mas seu corpo estava murcho, pequeno e tinha as asas amassadas. O homem continuou a observar a borboleta, porque ele esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e esticassem para serem capaz de suportar o corpo, que iria se afirmar com o tempo.
Nada aconteceu! Na verdade, a borboleta passou o resto da sua vida rastejando com seu corpo murcho e suas asas encolhidas. Ela nunca foi capaz de voar. O que o homem, em sua gentileza e vontade de ajudar, não compreendia era que o casulo apertado e o esforço necessários à borboleta para passar através da pequena abertura era o modo com Deus fazia com que o fluido do corpo da borboleta fosse para suas asas de modo que ela estaria pronta para voar uma vez que estivesse livre do casulo.
Algumas vezes, o esforço é justamente o que precisamos em nossa vida. Se Deus nos permitisse passar através dela sem quaisquer obstáculos, nós nunca poderíamos voar.

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A VOLTA DE UM PERSONAGEM DO SÉCULO XVI NO BRASIL


Em final século do século XX, o Sr. Teixeira, um grande professor, brasileiro do século XV, voltou à terra e chegando à sua cidade ficou abismado com o que viu: as casas altíssimas e cheias de janelas; as ruas eram pretas e passavam umas sobre as outras com uma infinidade de máquinas andando em alta velocidade; o povo falava muitas palavras que o professor Teixeira não conhecia (poluição, telefone, avião, rádio, metrô, televisão, computador); os cabelos do povo pareciam com os do tempo das cavernas... e as roupas deixavam o professor ruborizado.
Muito surpreso e preocupado com a mudança, o professor visitou a cidade inteira e cada vez compreendia menos o que estava acontecendo. Resolveu então visitar a Igreja. Mas que susto ele levou! O Padre rezava a missa em português e de costas para o altar, o órgão estava parado e um grupo de cabeludos tocava, nas guitarras uma música estranha ao invés do canto gregoriano. O desespero do professor aumentava, mas ainda resolveu visitar algumas famílias. Mas... o que significava aquilo? Depois do jantar todos se reuniam durante horas para adorar um aparelho que mostrava imagens e emitia sons. O professor Teixeira ficou impressionado com a capacidade de concentração de todos. Ninguém falava uma palavra diante do aparelho.
Tudo havia mudado completamente e o Sr. Teixeira desanimava cada vez mais até que resolveu visitar uma escola. Foi uma idéia sensacional porque la chegou, sentiu a paz e a tranqüilidade que procurava. Tudo continuava da mesma forma como ele havia deixado: as carteiras uma atrás da outra, o professor falando, falando... e os alunos escutando, escutando, escutando.
(Extraído do Jornal de Comunicação e Expressão – 1990)

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As lições de uma escola:
Uma ponte para muito longe...
Ademar Ferreira dos Santos
Não cobiço nem disputo os teus olhos
não estou sequer à espera que me deixes ver através dos teus olhos
nem sei tampouco se quero ver o que vêem
e do modo como vêem os teus olhos.
Nada do que possas ver, levar-me-á a ver e a pensar contigo.
Se eu não for capaz de aprender a ver pelos meus olhos e a pensar comigo,
não me digas como se caminha e por onde é o caminho:
deixa-me simplesmente acompanhar-te, quando eu quiser.
Se o caminho dos teus passos estiver iluminado
pela mais cintilante das estrelas que espreitam as noites e os dias,
mesmo que tu me percas e eu te perca algures na caminhada,
certamente nos reencontraremos.
Não me expliques como deverei ser, quando um dia as circunstâncias
quiserem que eu me encontre no espaço e no tempo de condições,
que tu entendes e dominas.
Semeia-te como és e oferece-te simplesmente à colheita de todas as horas.
Não me prendas as mãos,
não faças delas instrumento dócil de inspirações que ainda não vivi.
Deixa-me arriscar o molde talvez incerto,
deixa-me arriscar o barro, talvez impróprio,
na oficina onde ganham forma e paixão todos os sonhos que antecipam o futuro.
E não me obrigues a ler os livros que eu ainda não adivinhei
nem queiras que eu saiba o que ainda não sou capaz de interrogar.
Protege-me das incursões obrigatórias que sufocam o prazer da descoberta
e com o silêncio (intimamente sábio) das tuas palavras e dos teus gestos,
ajuda-me serenamente a ler e escrever a minha própria vida.
(Extraído de A Escola com que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir – Rubem Alves; Papirus, 2001

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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Legislação de Ensino de Arquitetura e Urbanismo

"As Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos de graduação em Arquitetura e Urbanismo estão contidas na Resolução CNE/CES no. 06 de 02 de fevereiro de 2006. Esta Resolução reafirma os conteúdos da antiga portaria 1770/94, após longo período de discussão e análise. O documento reúne conceitos defendidos de forma consorciada pela ABEA, Instituições de Ensino da área, Comissão de Educação do CONFEA e entidades nacionais da categoria." Estes documentos estão disponíveis abaixo:

Lei nº. 9.394/96
Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

MEC/SESu/CEAU - Perfis da Área & Padrões de Qualidade
Expansão, Reconhecimento e Verificação Periódica dos Cursos de Arquitetura e Urbanismo.

Portaria Ministerial MEC nº. 3.284/03
Dispõe sobre requisitos de acessibilidade de pessoas portadoras de deficiências, para instruir os processos de autorização e reconhecimento de cursos, e de credenciamento de instituições.

Resolução CNE/CES nº 06/2006
Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Arquitetura e Urbanismo.

Decreto nº. 5.773/06
Dispõe sobre o exercício das funções de regulação, supervisão e avaliação de instituições de educação superior e cursos superiores de graduação e sequenciais no sistema federal de ensino.

Resolução CNE/CES nº. 02/2007
Dispõe sobre a carga horária mínima e procedimentos relativos à integralização e duração dos cursos de graduação, bacharelados, na modalidade presencial.

Resolução CNE/CES nº. 03/2007
Dispõe sobre procedimentos a serem adotados quanto ao Conceito de hora-aula.

Lei nº. 10.861/07
Institui o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior – SINAES.

Portaria Ministerial MEC nº. 1.081/08
Aprova, em extrato, o Instrumento de Avaliação de Cursos de Graduação do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior – SINAES.

Portaria INEP nº. 135/08
ENADE para o Curso de Arquitetura e Urbanismo em 2008

INEP – Instrumento de Avaliação dos Cursos de Graduação

Lei nº. 11.788/08
Dispõe sobre o Estágio de Estudantes.

(Texto extraído do site da ABEA, onde tem os links para as referidas leis: http://www.abea-arq.org.br/?class=Diretrizes&method=onListarDiretrizes)
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